Dois cabelos, dois esteriótipos

Eis eu, Juliana, uma adolescente de 13 anos que achava que a cor cabelo - aquele castanho cor de burro quando foge, como eu costumava dizer - muito sem graça. Pensando em colocar um fim nisso, fui na cabeleireira que cuidava dos fios da minha mãe e num processo doloroso (quem não lembra daquela toca horrenda que usavam pra fazer luzes?) saí de lá loira. Saí de lá, com 13 anos, me sentindo gata. E loira.

Deixei de ser loira, mas alguns anos e outras técnicas capilares depois, voltei à loirice e consequentemente, a me sentir muito gata. E era aí que morava o perigo: por quê raios um descolorante fazia você sentir mais bonita e consequentemente fazia as pessoas ao seu redor te acharem mais bonita? Depois de muitas andanças por salões, eu compreendi: é o esteriótipo da loira.

Você vê aquela menina branquinha, com aquelas cabelinhos dourados e - ela pode nem ser tão bonita assim - mas você vai achar ela gata simplesmente pela cor do cabelo. Além da beleza agregada, vem outros rótulos não tão legais: burra, fútil, cabeça oca, "fácil" e por aí vai. Se ninguém nunca entendeu porque eu odiava ter o "loirinha" como referência, tá aí.

Para mudar a história, cortei o cabelo acima do ombro e assumi minha 'castanhice' - que hoje não acho mais sem graça - e vi o outro lado da moeda: o esteriótipo da menina de cabelo curto. Pra te situar, essa garota é assim: cult, inteligente, estilosa e bonita. Quase nunca gostosa, tipo a loira. Percebi isso pelo tipo de cara que dá em cima de mim - antes, os fortinhos e playboys da balada; depois, os caras com barbinha e blusa xadrez (e olha eu estereotipando também. :P)

Chega a ser engraçado, mas sou a mesma garota, que ainda gosta das mesmas coisas da época da loirice, só que com cabelo curto ~agregando valor~. E é nessas horas que a gente percebe como rotula tudo. Eu, você, sua mãe e todo mundo que você conhece: a gente quase sempre tem um ideia pré-formada das pessoas, mesmo sem conhecê-las. Não sei se é algo inerente ao ser humano ou só um hábito ruim que deveria ser mudado.

E se eu raspar a cabeça, o que será que acontece?



*Pensei nesse post quando li uma matéria sobre Sophie Van Der Stap, uma garota de 21 anos que contraiu um câncer raro. Por causa da perda de cabelo causada pela quimioterapia, Sophie decidiu investir nas perucas, mas não só isso: a cada peruca que comprava, comprava também uma nova personalidade para si. Ela conta a história no livro "A Garota das 9 Perucas", que também foi transformado em filme.

12 comentários

  1. Isso é muito louco, Ju! Em pouco tempo passei pelas três cores de cabelos mais tradicionais e é bizarro como mesmo se vestindo e agindo da mesma forma as pessoas te tratam de outro jeito. Achei que eu fosse a única que se incomodava com essa loucura. E feliiiiiiz que você voltou :)

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  2. Isso é muito louco, Ju! Em pouco tempo passei pelas três cores de cabelos mais tradicionais e é bizarro como mesmo se vestindo e agindo da mesma forma as pessoas te tratam de outro jeito. Achei que eu fosse a única que se incomodava com essa loucura. E feliiiiiiz que você voltou :)

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  3. Nossa Ju, realmente, todo mundo rotula todo mundo por causa do cabelo. Lendo seu texto eu mesma percebi que acho aquelas garotas com cabelo curto bem estilosas e inteligentes.

    Nasci loira natural, cabelo branco, mas com o tempo foi escurecendo. Hoje em dia faço apenas mechas californianas, pois não tenho coragem de ficar toda loira rsrs. Corto de 3 - 4 anos bem curtinho. Não sei como as pessoas me rotulam rsrs.

    www.larydilua.com

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    1. É engraçado pensar nisso, né? Como as pessoas te veem.. beijos! :)

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  4. Lendo seu post lembrei do meu tempo de escola, onde usava óculos e por causa deles era sempre rotulada como nerd, e a referencia para falarem de mim era "aquela de óculos". Incrível como alguma característica física é utilizada pra te descrever como pessoa. Isso com certeza me afetava muito, e hoje que mudei muito aparentemente, vejo como a forma que as pessoas se relacionam comigo mudou. É bem estranho. Mas...é isso, a gente reclama, mas daqui a pouco ja esta estereotipando a "piriguete", o playboy da balada, o hipster do barzinho... sempre assim. =B

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    1. SEMPRE! Eu tento sempre me vigiar pra não fazer, mas quando vejo já to fazendo de novo. É um hábito muito ruim ):

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  5. Estereótipos fazem parte de quase tudo na vida hahaha. Por muito tempo deixei meu cabelo curtinho / médio e agora ele tá grandão (pra mim isso é grande) de novo. E ja vou cortar mais uma vez. Não pela questão do estereótipo (tá, um pouquinho rs), mas porque me sinto bem de cabelo curto. Acho que reflete muito mais a minha personalidade. Você tem razão quando fala de cabelo e identidade. Concordo que os dois andam sempre juntos! Adorei a reflexão haha.

    Beijocas,
    Ju.
    www.cadeomeubloquinho.blogspot.com

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  6. Nos meus 20 anos, cansei do meu cabelo castanho claro com mechas de sol,mó carinha de patricinha da Barra, e resolvi virar ruiva. Meu cabelo estava um pouco abaixo do ombro.Hoje em dia, tô com o cabelo abaixo da cintura e ruivão. Como sou míope, uso óculos de grau pra tudo ... e me chamam de hipsterzinha. Decidi cortar a la Alexia Chung e TODOS me criticaram :( até o cabeleireiro se negou a cortar minha jubinha ... o brasileiro não bem vê mulheres de cabelo curtinho.

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    1. Brasileiro ama mulher de cabelo grande, é quase um fetiche! Sempre lembro de quando um fotógrafo do Sartorialist veio aqui e disse que era até tedioso ver tantas mulheres de cabelo grande. rs

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  7. Quando eu tinha 10 anos e um cabelo na altura da bunda, dei a louca. Fui ao cabelereiro com minha mãe e cortei curtíssimo. Mantive o comprimento por uns 3 anos e reparava que os meninos da minha idade não curtiam muito o tamanho do cabelo. Não foi por esse motivo, mas deixei ele crescer. Só que pela praticidade e pelo jeitinho, eu volta e meia dou a louca e corto de novo. Me deixo descobrir como um corte pode mudar o cabelo porque nunca quis pintá-lo (ele é castanho natural, nunca chegou perto de tinta e acho a cor bem bonita). Agora eu quero deixá-lo longo para poder doar uma parte bem grande dele e assim assumir de novo meus ares favoritos: curtinha, mas com estilo!


    www.balburdia-interna.blogspot.com.br

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Leio todos os comentários e respondo quase todos. :) hehe Se for urgente, melhor mandar um email para: jusacramento@temnomeuquintal.com