O mundo depois do Rebouças

Se existe uma coisa que sou nessa vida é suburbana. Não no sentido pejorativo da palavra, mas ao pé da letra mesmo: pessoa que mora no subúrbio. Suburbana de berço, eu poderia dizer, já que nasci em Bangu e moro em Bangu desde então. Moradora da Zona Oeste, eu faço uma viagem diária até a Gávea, na Zona Sul. São duas horas e uns quebrados todo santo dia.

Mas se você pensa que enfrentar as duas horas diárias é pior, acredite, não é. A minha viagem não é só cansativa pela distância, mas pela mudança dos mundos. Todo santo dia eu saio de um extremo e vou a outro. É oito ou oitenta, sabe? E isso cansa mais que a viagem. Eu saio de um lugar onde todo mundo é simples, onde ninguém usa Chanel e onde ninguém tem carro importado e muito menos viajou pra Índia no ano passado. Churrasco com cerveja no domingo é o ponto alto e todo mundo é feliz assim.

Então chega a segunda-feira, eu acordo quando ainda tá escuro e encontro o pessoal do outro extremo. Eles falam coisas que eu não consigo entender, agem de forma que eu não tô acostumada. Na Zona Sul, todo mundo parece passear, como numa novela do Manoel Carlos. E eu não consigo vibrar na mesma vibe daquelas pessoas. Simplesmente não consigo.

É difícil ter que estar num lugar onde você se sente um estranho um ninho. Talvez existam pessoas lindas e parecidas comigo por lá, mas olha, pessoa, eu ainda não te encontrei. E PUC pra mim segue sendo assim: uma cama desconfortável em que sou obrigada a dormir todos os dias. Por mais que eu mude de posição, durma de bruços, pegue um cobertor, ela continua sendo desconfortável. Mas eu preciso dormir e esse é o foco. E se eu quiser, vou ter que arrumar um travesseiro melhor pra aguentar os próximos seis períodos...



(A divagação surgiu porque segunda-feira começam as aulas. Oh shit.)

(Se você é from Zona Sul e se sentiu ofendido...Não se sinta. É só como eu me sinto.)

beijos,
Ju

57 comentários

  1. Sei exatamente como se sente.
    Sou de Nilópolis city e fiquei dois anos indo para o Miguel Couto fazer a residência em farmácia hospitalar pela UFF. A Gávea sempre foi outro mundo para mim, até as pessoas atendidas no hospital eram diferentes, não sei dizer porque, afinal era um hospital público.... Mas quando a gente andava na rua ou ia na feira parecia mesmo um cenário escrito pelo Manoel Carlos, como vc falou. As pessoas que passavam pela Antero de Quental estavam sempre a passeio kkkkkk. Mas uma vez eu quase morri, uma maçã verde na feira livre em frente ao hospital era quase 5 reais! 1 maçã? Só porque é na zona sul? Sou mais o subúrbio as vezes rs

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    1. Rê e o churros? E a pipoca???? Fico chocada com a diferença de preços!

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  2. True history, fazendo Campo Grande - Horto, e tentando não pirar.

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  3. Juliana,
    curiosidade única e exclusiva: pq a PUC? O curso de comunicação é melhor lá?
    bjs

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    1. Deborah, simples assim: quando fiz vestibular, só passei na História e eu queria Jornalismo. Já estava conformada em fazer pré-vest no ano seguinte, aí ganhei uma bolsa de 100% na PUC. A Puc é uma das melhores faculdades de jornalismo, por isso resolvi - e resolvo - ficar até hoje.

      Mas honestamente acho que seria mais feliz em outra faculdade. rs

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    2. Ahhhh, sim! rs
      Perguntei pq eu imagino que deve ser difícil de conviver com isso.. e pq tenho um interesse pelo curso de jornalismo (paixão antiga e não atendida rs).. era mais a titulo de curiosidade msm (depois reli o comentário q vi q isso nao ficou muito claro hehe)
      Se o curso é bom, vale o sofrimento! E não é exclusivo da PUC. Estudo em pública e o nível das conversas é a mesma (já tive que ouvir professor perguntando em sala como que a gente não tinha ido à Paris ainda.. e o que a gente fazia no final de semana. pq a prof, claro, ia velejar - e acha um absurdo que a gente não faça isso rs)

      Força aí, moça! no final vai valer a pena todo o tempo de peixe fora d'água! :)

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  4. Faz transferência e vem pra UERJ Ju! Digo que a UERJ é tipo o Esquenta da Regina Casé. É onde zona sul, zona norte e zona oeste se encontram.

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    1. HAHA ai, que amor!

      Mas gente, sempre fico me perguntando.. eu posso? Eu não teria que, sei lá, fazer vestibular? Pq a PUC é particular e tal...

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    2. Caso o curso abra vagas para transferencia, vc pode fazer uma prova...eu acho tão brabo como vestibular!

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    3. Eu estudei na UERJ, outro curso, mas eu me espantava o quanto era fácil o pessoal conseguir transferência de umas univ bem fundo de quintal.

      Quanto ao que vc falou, faz uns 5 anos q moro na zona sul após uma vida inteira na Vila de Penha, acho q não dá pra generalizar a zona sul pq tem muita gente como a gente, talvez não na PUC, mas eu conheço muita gente q transita por todo RJ como eu, sem problemas. Sempre fui pobre e agora estou mais pobre do que nunca, mas isso não me impediu de viajar algumas vezes e até de já ter posto meus pezinhos em Paris, e preconceito eu sentia mais por parte dos meus vizinhos da Vila da Penha por eu ser aquela "metidinha" q queria ser diferente. Acho q são dois lados da mesma moeda. Não quero ser como meus antigos vizinhos, nem como o povo q está a passeio, quero ser diferente, interessante, única, e acho q já consegui bastante. E pelo seu blog eu acho q vc tb é assim, e muito.

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  5. HAHAHAHA, ADOREI O TEXTO!
    Sou da Zona Sul, favelada, não no sentido pejorativo da palavra, mas no sentido prático, nascida e criada numa comunidade na Gávea chamada Parque da Cidade, estudante da PUC e extremamente deslocada do perfil Chanel e carro importado. Não passo duas horas no trânsito pra chegar na faculdade, mas com certeza me localizo no outro extremo dela, afinal, mesmo morando perto do cenário das novelas da globo, destoo completamente dessa forma de viver. Gosto da ideia da diferença entre as pessoas, e eu não sei você, mas acho a forma de se vestir, falar, andar e até de se comportar dessas pessoas tão singular... Viva os suburbanos, viva os favelados! hehe. s2

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    1. Fabiana, uma vez bem procurei casa no parque da cidade! hehehe Já pensei em alugar quarto por aí na Gávea, mas pqp...Um quarto pra dividir é 500/600 reais! Haja bolso.

      Eu tbm acho um amor! Não sou fã de funk, coisa e tal, mas me sinto mais à vontade perto de gente assim. rs

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  6. Sou da zona sul, nascida e criada no Leblon, e também me sinto assim. Sair da bolha parece ainda mais difícil quando você passou a vida inteira sem nem ver pra fora dela.

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    1. Assim como eu nunca tive necessidade ou oportunidade de ir pra Zona Sul antes dos 18 anos e todo mundo achava um absurdo, acho que muita gente daí também nunca foi pro subúrbio pelo mesmo motivo. O problema é quando vc finalmente encontra o extremo e tem que lidar com a disparidade que isso é.

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    2. Poxa, Letícia, que legal ler isso. Sério mesmo. Sempre quis saber como era o outro lado... Vem conhecer o subúrbio pra ver o que cê vai achar da gente! E ó, como eu disse no texto: aposto que você é uma dessas pessoas legais. :)

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    3. Que fofa Ju! Às vezes o lugar que a gente mora não necessariamente reflete nossa personalidade, né. Chega uma hora que aprendemos também que a nossa vida não precisa ser como a dos nossos pais. Realmente não vou pro subúrbio porque não tenho amigos que morem aí nem trabalho ou outro motivo, mas você devia marcar um encontrinho de leitoras! Eu vou até Bangu amarradona! Se tiver cerveja envolvida ainda eu vou pra qualquer lugar! rs!

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  7. Ju, eu já gostava de vc antes. Agora estou inlove!
    Morar em Cpo Grande e trabalhar em Botafogo, com direito a trem lotado as 6 da matina é diliça!
    Minha sorte é que estudo na UERJ, aliás tenho que engrossar o coro do anonimo ai de cima, vem pro Esquenta da UERJ!! hahaha

    bjoos
    Nath

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    1. ai que inveja dos uerjianos! hehe sonho estudar aí! ♥

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  8. Ju,
    Meu namorado também era da PUC, bolsista, nós dois temos raízes suburbanas e a maioria dos amigos dele da PUC também. Só tenho 2 coisas a dizer sobre isso: primeira, continue de olhos abertos pq vc não está sozinha por lá, e segunda, isso te faz crescer como pessoa de um jeito que talvez vc só entenda mais pra frente. Explorar dois mundos é crescer com os dois!
    Beijos

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    1. Ai, gente. Sério, que bom ler esses comentários. :) Brigada, Mari. Vou continuar com eles abertos sim. E espero crescer, igual cê falou.

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  9. as diferenças são sentidas em qualquer espaço-tempo. é do ser humano. pra você ter uma ideia, já estou no Rio há 8 anos e ainda tenho um pouquinho de problemas de aceitação, esse pé atrás (ou podemos chamar de preconceito mesmo), com os cariocas por conta disso. aqui todo mundo (tá... não é todo mundo) é muito bairrista. zona sul estranhando zona norte, que estranha zona oeste, que se muda pra barra, e bla bla bla, whiskas sachê... mas todo mundo acaba se encontrando todos os dias e em datas especiais mais ainda (carnaval, jogo no maracanã/engenhão, praia, emprego, botequim)! e se tem alguma coisa que junta esse povo todo num só é quando se trata defender o Rio. aí a cidade maravilhosa parece que é a mesma pra todo mundo! quando a gente tenta enxergar o indivíduo e não a multidão, essa visão muda bastante. tem gente legal em tudo quanto é canto e tenho certeza de que você vai encontrar alguém que tenha um pouco do jeitinho. no seu trajeto diário trem-metrô-ônibus do metrô, você passa por mim todos os dias. bora almoçar?? xerinho.

    obs.: desabafo de quem veio de fora do rio, sempre fez a ponte nova iguaçu-flamengo e mora na zona sul. =D

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    1. Lual, brigada por compartilhar sua sabedoria: "quando a gente tenta enxergar o indivíduo e não a multidão, essa visão muda bastante". Sabe, às vezes acho que penso assim também porque sou muito nova, sabe? Não sei tanto da vida. Talvez com o tempo eu comece a enxergar assim, igual cê falou.

      Você mora no Jardim Botânico, né? Eu passava, mas tive uma notícia hoje que mudou meu trajeto! :D Agora vou sair da Puc e vou pra um estágio lááá no Recreio. Mas e tomar uma cervejinha à noite, topa? Podemos chamar a Fê!

      E não sabia da parte que cê morava em New Iguaçu!

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    2. então... bora chamar a fê sim. eu não bebo, né? mas tomo um porre de coca-cola que é uma beleza! na verdade eu morava em brasília. mas quando vinha pro rio eu ficava na casa da família em nova iguaçu e no flamengo. esse era o trajeto anual das minhas férias do meio do ano. as férias de janeiro foram sempre em aracaju, onde meus pais moram hoje, depois que se aposentaram. =D

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  10. Sabias palavras Ju! Viva o Subúrbio!
    Beijoos :*

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  11. PS: Mostrei o texto pro meu namorado, ele disse que não teve essa experiência e conviver com gente elitista e babaca foi exceção. Vc é de comunicação? Acredito que talvez seja o curso, tenho uma amiga de lá que também estranha a galera. Mas fica a dica, realmente tem gente legal na PUC. De todas as zonas. Com o tempo vc encontra. ;)

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    1. já conversei isso com outras pessoas e acho que é isso mesmo, Mari. O pessoal de Comunicação é beeem mais assim. Eu observo o pessoal de outros cursos - tipo, Geografia, História, Letras - e eles são tão diferentes. :~ Mas né "aponta pra fé e rema".

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  12. Linda sua análise ju! Mostra que pode falar de tudo no blog e será respeitada. Já morei na Barra, na parte dos pobres, e me sentia muito deslocada! Mas leve isso como experiência, são nas dificuldades que encontramos as melhores soluções!

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  13. Oi, Ju. Sou de Jacarepaguá e estudo no Recreio. Não são mundos tão diferentes assim, mas às vezes também me sinto assim, mas como já disseram acima e você também falou, conheci pessoas maravilhosas lá, tão simples quanto eu, mesmo tendo sua condição financeira maior que a minha. Mas é vida é isso aí: vivendo e aprendendo a viver com as outras pessoas, mesmo quando essas vão passar os fins de semana em Nova York.

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    1. talvez não seja mesmo...às vezes tbm me pego pensando se sou eu que não oportunidades pro pessoal "rich" se aproximar, sei lá. talvez já seja um certo preconceito meu. mas acredito que tenha gente bacana, sabe? só não conheci muitas pra provar isso.

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  14. Belo texto Ju, você é muito generosa em dividir isto com a gente.. No começo da faculdade me sentia como um peixe fora daquele aquário... o curso foi concluído e sai de lá com vários amigos novos.. porém, nenhum da zona sul... bad!! SQN!! kkkk, beijos

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  15. Ô, como é bom encontrar alguém com quem a gente se identifica, né? Trabalho no Leblon e todo o santo dia vejo coisas tão surreais... Surreais pra mim, que tô acostumada desde criança com a Saara, com salgado + refresco por três reais... hahaha!
    Te entendo perfeitamente!

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    1. né, Estela? Outro dia tava num cinema em Botafogo e duas meninas - aparentemente ricas - conversavam: "mentira que você agora tem que acordar às 6:00? Esse horário é desumano!"

      E eu: ¬¬'

      ahahahaha

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  16. Descreveu um pouco do que eu sinto! Moro em Nova Iguaçu e faço o trajeto Nova Iguaçu - Urca a 4 anos por causa da UNIRIO.
    No início era muito mais difícil e o sentimento era realmente esse que você descreve no texto, não tanto pela faculdade já que no curso de Biblioteconomia ninguém é rico e tem situações financeiras muito piores que a minha, moradores de favela e afins por lá. Mas ali fora, ali na Urca lidar com o cenário Manoel Carlos, as crianças da British School na frente da faculdade,milionários e etc.
    Achava complicado e várias vezes pensei em desistir por causa dessa confusão mental que se instaurava na minha cabeça. Mas sabe, Ju, é como alguém disse ali em cima, é aproveitar pra crescer como pessoa usufruindo dos dois lados, inclusive e especialmente com a parte que você não se identifica. Criar conhecimento de mundo, pra que tudo isso te torne uma pessoa melhor sem perder a sua essência.

    E o bom, é que a gente continua com nosso churrasquinho de domingo e cerveja barata sendo muito mais feliz. <3

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    1. a coisa que meu pai mais temia era que eu ficasse deslumbrada ou algo assim, mas ainda bem isso não aconteceu. Mas ainda não sinto confortável por lá, sabe? Sinto falta de mais pessoas parecidas comigo... Sei lá, depois 2 anos na faculdade, não perdi minha essência, mas queria que o desconforto passasse. ):

      enfim, vou sendo feliz aos fins de semana...rs

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  17. Me sinto assim todo os dias também! Moro na baixada e faço estágio na ANAC e em um setor onde todos são concursados e ganham muito bem. Me sinto um pouco excluída com as conversas sobre viagens, marcas e luxos. Escuto e vejo isso todos os dias e depois pego trem, Japeri lotado e vejo a diferença rs

    Beijos!

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    1. é muita diferença viver na Zona Sul e dps pegar o trem lotado! rs sei bem como é!

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  18. Realmente o seu texto faz parte da realidade de quem faz essa migração constantemente. Isso é muito ruim. Moro na zona norte e estudo no fundão, lá há todos os tipos de pessoas. O que mora no Catete e se acha, até a que mora em Botafogo e que não faz distinção nenhuma das pessoas. Tudo vai de acordo com o caráter da pessoa. Mas é verdade, o sentimento e a sensação de não fazer parte daquela realidade elitista é muito ruim e desagradável.
    Como a leitora acima disse, o bom mesmo é continuar com o churrasco com cerveja no dia de domingo e ser feliz.
    Belo texto
    Beijos,

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  19. ''E PUC pra mim segue sendo assim: uma cama desconfortável em que sou obrigada a dormir todos os dias.'' cara , quis te abraçar nessa frase, botou em palavras exatamente todos os meus sentimentos! me sinto completamente deslocada e excluida num mundo superficial. vc nao está sozinha!! hahaha

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    1. Sério, Lary??? Achei que você era super enturmada por lá!

      p.s.: saudade do seu blog!

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  20. Nossa, eu passo isso aqui em Floripa!! Moro no subúrbio e estudo na federal que fica na parte phyna da cidade e meu namorado mora lá tbm...parece ate q sou o bicho do mato para aqueles lados..ahhuahaa

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  21. Imagino sua situação, também sou suburbana haha
    Mas vai com foco, são só alguns anos.
    Força aí

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  22. olha eu sou da zona norte, trabalhava fazia curso na zona sul e faculdade na barra me acostumei com esses mundos, realmente entendo o que vc esta falando, mas eu só acho sem sentido essa ideia que as pessoas tem de condenar a galera da zona sul por não conhecer bairros da z. norte, z. oeste afinal não conheço nadaaa da baixada e nem frequento e tenho amigos de lá, já passei de carro e fiquei sim meio chocada e com medo e nem por isso acho que tenho que ser "condenada" por isso. Tem pessoas aqui da z. norte mesmo que não viaja nas férias e nem se quer saiu do Brasil, alias nem na z. sul a pessoa sabe andar e quando vc tem cultura, tem assunto pra falar com qualquer pessoa independente da sua classe essa coisa de moro no lugar tal não faz mais sentido. Um dia vc vai ler de novo esse texto que vc fez e vai ficar com mini vergonha, mas tbm vai perceber o quanto evoluiu. Ao invés de vc achar que a PUC é uma cama desconfortável como vc mencionou, agradeça e abra a mente pra enxergar na oportunidade que ela te dá tdos os dias pra vc conhecer e crescer sair da sua zona de conforto e ver que o mundo e as pessoas são muito além do que bangu city, afinal vc frequenta os bairros de realengo?? frequenta os pagodinhos com seus amigos de lá??? acho que não né e nem por isso vc é uma pessoa inacessível pra essas pessoas que moram em realengo talvez essas pessoas devem olhar pra vc e ter o mesmo pensamento que vc tem com o galera da z. sul. e outra muito do que vc é hj é parte dessa experiencia em contato com o mundo da PUC, seu modo de se vestir por exemplo, aqui no blog vc mostra bem isso e volte a tempos atrás como vc se vestia e como vc se veste agora, não teve uma melhora? Alimente a sua alma de cultura e conhecimento e não terá fronteiras e obstáculos vc será do mundo e não de bangu city.
    ah se isso serve de exemplo sempre morei no méier e o meu namorado é nascido e criado a vida toda na lagoa e isso nunca foi um obstáculo entre nós. Um beijo e boa sorte =D

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  23. Oi, Ju! Não acompanho seu blog com frequência (erro meu), na verdade, só acompanho os posts falando de brechós porque sou rata de brechó haha, mas parei agora pra ler esse post e super me identifiquei. Moro em Nova Iguaçu e estou pra estudar na Puc ano que vem e confesso que estou MORRENDO de MEDO. To com medo das pessoas, do clima pesado. To com medo de sofrer bullying, de não aguentar a rotina diária.. Enfim, to morrendo de medo de tudo e me senti super acolhida por esse seu texto. Não sei porquê, mas através dele, já conseguo narrar a minha futura história lá hahaha D: Adorei, de verdade. E pretendo acompanhar mais o blog. Beijão!

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  24. É um mundo completamente diferente . Viva a desigualdade social ! Acho que nós moradores do subúrbio ,vivemos muito mais do que os moradores da Z.Sul , temos tantas histórias pra contar , até as discussões familiares do almoço de domingo geram risadas , tem coisa melhor ?
    Além de morar na Zona Norte , sou Flamenguista , ando de trem e estudo na faetec... suburbana com orgulho <3

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  25. Concordo com tudo!!! Tb sou bolsista de 100% de faculdade particular e não me conformava/me conformo com as coisas que eu via e escutava (na verdade, até hoje eu vejo e escuto) na faculdade. Eu faço Medicina, então funcionava mais ou menos assim: nos dois primeiros anos de faculdade, quando a gente estudava na sede em Cascadura, o pessoal que morava na Zona Sul/Barra e ia pra faculdade nos seus carros, com ar condicionado e pegando contra fluxo do trânsito, reclamavam que demoravam muito tempo (leia-se uma mísera hora) das suas casas pra faculdade. Enquanto a gente tinha aula, várias pessoas ficavam jogando baralho ou fumando lá embaixo. Quando tinha trabalho de campo, que a gente tinha que ir pros postos de saúde próximos, tipo Madureira, Irajá e afins, o pessoal ia morrendo de medo, achando que iam ser assaltados, que iam morrer e por aí vai... bom, são 6 anos de faculdade, algumas pessoas melhoraram, outras nem tanto...

    Experiência própria, Ju (desculpa a intimidade rs), com o tempo, vc se acostuma e vai aprendendo a lidar com isso. No início da faculdade, eu ficava profundamente irritada com os comentários e com as situações que eu vivenciava. Agora, já tô tirando de letra (até pq me formo em Novembro). De vez em quando ainda tem uns momentos vergonha alheia, sabe? Por exemplo, recentemente, a gente passou um período no Hospital de Acari (onde tem uma estação de metrô na porta, facilitando o transporte de toda a galera da ZS) e uma menina teve a coragem de me dizer que não ia pra lá de metrô de jeito nenhum pq as pessoas que pegam o metrô são "mal encaradas", "meio sujinhas". #TENSO Mas pelo menos a gente vai aprendendo a viver e observando como as pessoas são, não é mesmo? Lidando com as diferenças e selecionando quem realmente a gente quer do nosso lado e quem é altamente dispensável.

    Enfim, bjão e parabéns pelo blog, sempre tô por aqui.

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  26. Ai, Ju, já falei com vc no twitter sobre isso, mas meu coração apertou ao ler seu post.
    Eu entendo tudo que vc disse, primeiro pq fiz Pós lá, depois pq tive uma paciente que passava pelas mesmíssimas coisas que vc.
    E, assim como foi com ela, espero que vc não só acostume, como passe a curtir tudo que esta cama nova tem a te oferecer (juro, existe vida legal e saudável por lá!).
    Estou na torcida por um dia encontrar aqui um post chamado "O Lado Bom da PUC".
    Beijo grande.

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  27. Ju, você é bolsista 100% da PUC através do ProUni por ter estudado em rede pública de ensino, certo? É preciso pagar os R$ 150 e se inscrever no vestibular para concorrer com a nota do ENEM utilizando o ProUni? E qual foi a sua nota para conseguir a bolsa? Obrigada :D

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  28. Ju, o pior é quando você mora na Zona Sul, mas não tá na vibe desse pessoal. Eu sempre morei na Zona Sul, mas meus pais sempre ralaram um bocado e eu nunca tive luxo nenhum - nem mesada eu ganhava antes de começar a trabalhar, pra você ter ideia, e se eu não tivesse passado para uma universidade pública, teria que esperar mais um ano para tentar novamente o vestibular ou sair desesperada atrás de bolsa. Adoro uma cervejinha em botequim, um churrasco com o pessoal e nunca fui de frequentar essas noitadas de Zona Sul/Barra da Tijuca. Conheço e conheci muita gente que durante a semana não quer nada com a vida e todo fim de semana vai pra Búzios - imagina, fiz Direito, diria que 90% do pessoal é assim -, enquanto a minha vida é o oposto. Hoje faço pós na PUC, e pelo menos na pós o pessoal é mais "razoável". Acredite: para quem mora nesse mundo, mas não se comporta como a maioria das pessoas dele, é ainda mais difícil do que para quem mora do outro lado da cidade. Mas é uma experiência no mínimo interessante, porque você aprende a como NÃO educar seus filhos rsrsrs
    Beijo!

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  29. Menina, acabei de conhecer seu blog e já amei!
    Esse post é tudo o que eu sinto e penso todo dia. Sou do Méier, meus avós moram no Leblon, e atualmente passo a semana aqui por conta do meu estágio, só volto pra casa fim de semana.
    Sempre que eu vinha pra cá me sentia mal, desde pequenininha. Me lembro que eu nunca brinquei com as crianças do prédio aqui, nunca consegui me entrosar, sabe? Fui crescendo e minha visão foi mudando, vir pra cá não me incomodava mais, eu até gostava, ver novidades, etc...
    Porém, agora morando aqui, e convivendo nesse mundo diariamente, eu vejo esse sentimento de quando criança voltar, a me sentir uma estranha no meio da multidão hahahah
    Os preços exorbitantes são o que mais me incomodam. Eu não consigo achar normal você ir na padaria e deixar seu rim lá pra comprar um pãozinho. Eu vivo vida de sedentária, porque não existe academia por um preço "normal" por aqui, e eu só tenho tempo livre a noite então nem rola sair por ai correndo de noite, aqui também tem assalto como no subúrbio rs.
    As pessoas "afetadas" me incomodam demais. É botox demais, plástica demais, luxo demais o tempo todo, futilidade demais. Não entra na minha cabeça essas senhorinhas de 70 anos com 50 plásticas na face, que nem rir direito conseguem mais. Outra coisa que eu acho um absurdo por aqui e também na Barra, são cachorros dentro de shopping! Eu AMO cachorros, mas passear com eles dentro de shopping é um pouco demais. Outro dia dentro do restaurante a mulher tava com o cachorro no colo, e o cachorro quase lambendo o prato em cima da mesa.
    Sem contar as crianças andando só com babás, tudo bem que as vezes realmente pode ser necessário contratar uma babá quando nem os pais nem parentes próximos têm tempo livre para cuidar deles, mas você vê que aqui não é exceção, é quase uma regra geral.
    Parabéns pelo post!! Vou acompanhar seu blog sempre :)

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  30. Querida Ju, sou sua fã há um tempinho e também passei por isso, como estudante suburbana e moradora temporária na Zona Sul. Senti sim, uma drástica diferença... Mas acredito que o maior responsável por isso é a infraestrutura dos locais. A mobilidade e acessibilidade a serviços são completamente destoantes e isso influencia e muito a cultura local. No entanto, o que mais me marcou é o descaso com a periferia muito mais pela parte dos nossos representantes do que pelos moradores. Como estudei em universidade pública, tive oportunidade de andar com pessoas de várias faixas de renda e posso te dizer que, apesar de também ter convivido com alguns '"filhos da PUC" (como uma atriz uma vez se auto-declarou, lembra?) que nunca sequer pensaram em tentar vestibular para alguma pública, aprendi que sempre vão achar você além ou aquém de alguma faixa. Pessoas podem ser rotuladas por não usarem roupas de grife, mas vão também ser chamadas de bem nascidas só pelo fato de não precisarem estudar e trabalhar ao mesmo tempo, desconsiderando todo o esforço de seus pais. O mais importante é você saber transitar em todos os meios, sem desmerecer quem você é. Não são todos os alunos da PUC que tiveram mérito para uma bolsa 100 % como você... Enfim, se eu fosse você, aprendia o que pudesse com a suposta "hight-society", aproveitava o bom curso que você tem acesso, assistia menos novela e continuava desse seu jeito, o qual, pelo menos para mim, é super easy chic rs Beijos Michelly

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  31. Queria dizer também que concordo bastante com o comentário, infelizmente anônimo, do dia 7 de agosto de 2013 11:43. Ele explicou exatamente o que quis dizer aí em cima!!

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  32. Caramba que legal saber que existem pessoas iguais a mim. Sou de Nova Iguaçu trabalho em Botafogo e todo dia encaro o japeri e o ônibus cheio pois trabalho longe do metrô, eu me sinto totalmente deslocada naquele lugar até no trabalho todo mundo tem carro nem andam de transporte público fico me sentindo a estranha as vezes penso meu Deus e muito sofrimento trabalhar lá!! E depois ainda vou para a faculdade. Mas ju tenha força a puc e uma faculdade excelente e pense assim a cada aula que você assiste e um dia a menos e mais próximo do fim do curso você está e te garanto que haverão muitas conquistas.

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  33. Ju, conheci seu blog hoje pesquisando sobre algumas lojas do Saara! Adorei! Achava que eu dominava o Saara..mas tem várias lojas que você indicou que não fazia a menor idéia. Amei também uma saia midi que você encontrou em um brechó! Lindíssima! Não fica tensa em usá-la não..ficou muito bem em vc. Como ela é uma achado..se quiser desapegar, aliviar o guarda-roupa me avisa que compro!rsrs.
    Na Zona Sul tem muita gente legal..que não pode e nem precisa ter uma Chanel para estar in..que rala pra caramba e vive uma vida tranquila, sem deslumbramento para provar nada a ninguém..Gente que se acha existe em tudo quanto é lugar..e pode ser rica, pobre, classe média, feia, bonita, alta, baixa, gorda, magra..enfim, não tem regra..é o que penso e o que a vida me mostra com frequência! Beijos!
    Marina.

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  34. Oi, Ju!
    Comecei a ler seu blog agora e dei de cara com esse post! Eu tenho me sentido muito triste justamente por causa disso. Não faço parte do grupinho Zona Sul no trabalho, e mesmo ganhando o mesmo salário que muita gente ainda me sinto excluída de certa forma. As pessoas de lá tem preconceito até com a Barra, falam de lá como se fosse do outro lado do mundo e eu fico ouvindo e pensando que atravesso a linha amarela todos os dias pra ir trabalhar e não morro por causa disso.
    Vejo gente que se muda e paga aluguel caro só pra fazer parte do grupo. E eu me recuso a fazer isso. haha
    Sei lá, acho que muita gente quer se definir pelo lugar onde mora. É óbvio que tem gente legal na Zona Sul, mas acho que tem uma galera bem deslumbrada também. Fico triste por não ser "aceita", mas penso que tb não ia gostar de ser amiga de gente que pensa dessa forma.
    (não me identifiquei porque fico com medo de que alguém conhecido leia :/)

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Leio todos os comentários e respondo quase todos. :) hehe Se for urgente, melhor mandar um email para: jusacramento@temnomeuquintal.com